terça-feira, novembro 28, 2006


Aquele era o ponto de encontro de todos os dias: dos felizes, dos piores, que melhoravam sempre, dos de bom tempo em que era invadida por estranhos e dos de temporal, em que sabia sempre bem visitá-la e tê-la como nossa.
.
A praia, aquela praia, era a praia deles, com o café com esplanada com a música sempre presente, e um ambiente familiar difícil de encontrar noutro local daquela agitada cidade. Era exactamente essa intimidade que os entrelaçava a todos, que os unia de forma única, mesmo aquelas relações um pouco mais conflituosas. A praia era a casa deles, não se imaginavam a viver longe dela, longe daquele convívio diário que partilhavam juntamente com as histórias do mar e do dia-a-dia lá dentro, na cidade sufocante. Sabiam que estava ali um porto de abrigo, sempre, muitas vezes no ombro de alguém com quem se davam, aparentemente, menos bem.
.
O mar, aquele mar, era também o mais entusiasmante de toda a costa, era aquele pedaço de mar que conhecia as suas histórias, desde os banhos nocturnos ao sentimento de pertença cada vez que entravam de prancha na mão dentro de água; e era ele o maior confidente das suas mágoas, aquelas rochas gastas estavam feitas à medida para os acolher. As pequenas grutas formadas ao longo da praia acolhiam muitas vezes casais apaixonados em busca de um pequeno espaço para dar azo às suas fantasias, sempre com o barulho das ondas a rebentar insurdecedoramente.
.
A areia, aquela areia fina que só existe ali, era o local de muitas das festas do café, de muitas fogueiras, de muitas guitarradas, de muito convívio em noites bem passadas rodeadas de amigos e de desconhecidos que rapidamente se tornaram amigos, mesmo que por uma noite só. A música ali tinha outro sabor, as rochas que ladeavam a praia não deixavam sair a sensação que os diversos corpos extravasavam e acumulava-se ali uma aura de bons sentimentos que os unia ainda mais.
.
Havia um velho na praia, o Velho do Farol, pele queimada, olhos azuis, rugas que contavam todo um passado mesmo sem palavras. Contava-lhes histórias dos seus tempos de pescador, histórias do mar, de sereias, do seu amor. Eles acolhiam-no como um deles, o amor pelo mar e por aquela praia era visível, os silêncios em que todos respiravam fundo e olhavam com nostalgia aquele local deixava-os tristes mas, mesmo assim, felizes por partilharem um tesouro tão especial, possuiam algo que a maioria das pessoas da cidade suja não imaginava possível. Pertenciam a um pedaço de Natureza quase intocável, eram filhos daquele praia, estavam para sempre ligados a um local que os viu crescer e tornar-se no que são hoje.
.
Alguns deles partiram: necessidade, obrigação, trabalhos, estudos. Mas nenhum se esqueceu daquela praia, nenhum se esqueceu de cada uma das pessoas que lá conheceu, nenhum se esqueceu do que lá viveu, das mágoas, das tristezas, das lágrimas e, especialmente, porque no fim ficam os momentos bons, da felicidade que sentiam sempre que lá iam, das paixões, dos abraços entre amigos, dos confortos, do que lá amaram, de quem lá amaram.
.
O Velho da Praia dizia-lhes, quando muitos deles iam embora, "nunca voltem a um lugar onde foram felizes". Eles assentiam, condescendentes, mas sabiam que era impossível quebrar um laço tão forte quanto aquele, que mais tarde ou mais cedo haviam de voltar, com a certeza que aquele lugar continuaria intocado pelo tempo, talvez com outra juventude mas com o mesmo espírito. O seu amor passaria de geração em geração.



domingo, novembro 26, 2006

- Vou fugir daqui! Queres vir?
- Para onde?
- Não sei... Estou a sentir-me presa demais.
- Ah! Então pronto, eu vou contigo, não gosto de aqui estar, muito menos sem ti...
- Já sei! Atravessamos o mundo e ficamos na outra ponta, que tal? Onde ninguém nos conhece e podemos começar tudo de novo?!
- Mas eu não quero começar-nos de novo. De tudo, é a única que não quero começar de novo...
- Hum... Então pronto, nós ficamos iguais, o resto é para começar do zero, pode ser?
- Pode! E quando vamos? Hoje?
- Epá hoje não que tenho coisas combinadas para mais tarde... Fica para outro dia...

Porque é que continuamos sempre a adiar as decisões que tomamos com tanta veemência?

sábado, novembro 25, 2006

Conclusão de uma noite longa de Retórica:
Todas as relações íntimas dependem da vulnerabilidade que estamos dispostos a mostrar para nos darmos a conhecer ao outro.

terça-feira, novembro 21, 2006

Para quem não conhece...

Jeff Buckley - Grace (NPA Live'95)
(... Shame on you)
"The Mistery White Boy"

sexta-feira, novembro 17, 2006

Gosto de falar na primeira pessoa do plural...

E se...

Nem

sempre

conseguimos

manter-nos fiéis

a nós mesmos.

quarta-feira, novembro 15, 2006


Hoje lembrei-me de ti, não sei bem porquê.

O dia estar cinzento e chuvoso não é motivo para me fazer lembrar de ti.
Mas, pensando bem, eu também não tenho motivos para me lembrar de ti e, no entanto, faço-o (quando mais tentamos não pensar numa coisa, mais ela nos viola o pensamento, certo?).

E que tal vires comigo para o meio da rua sentir a chuva importuna entranhar-se nas nossas roupas e nas nossas almas, soltarmos a loucura que (sabemos) que há em nós e rodar, rodar e rodar até cairmos no chão, quais crianças imaturas?! É coisa que te vejo perfeitamente a fazer, apesar de não te ver a ti há já algum tempo.

Nunca fomos os seres racionais que aparentamos. E nunca nos importámos com isso...

Aprendi a gostar de me lembrar de ti, assim, sem mais nada, só uma boa recordação na minha vida...

segunda-feira, novembro 13, 2006


Tens
de aprender
a ler-me
nas
entrelinhas.
.
Pena que hoje não sei o que lá escrever.

domingo, novembro 12, 2006



Perdida, desorientada no meio da multidão que enchia os corredores da rua estreita e atribulada.
.
As pessoas riam-se e gritavam para se fazerem ouvir do outro lado.
.
Eu desesperada.
.
Tu, ao longe, a surgir calmo e sereno como sempre.
.
Viste-me e caminhaste para mim como se a rua estivesse vazia, sem veres ninguém.
.
Chegaste ao pé de mim e roubaste-me um beijo.
.
Eu ri-me e disse: "Demoraste muito tempo!".
.
Tu disseste-me: "A partir de hoje não te largo mais"
.
Gosto quando cumpres o que dizes.


sexta-feira, novembro 10, 2006

Não tenho culpa de ser feliz...

Aqueles dias quentes em que a vida nos parece infinita;
em que nada nos parece impossível quando estamos rodeados de amigos;
em que o Sol nos ilumina e deixa a marca bronzeada na nossa pele;
em que o mar está à nossa volta, o sal nos nossos corpos,
o som nas nossas cabeças, a presença ali mesmo à nossa frente;
em que a música nos faz sorrir e inspirar o mundo que queremos alcançar
e não cabe dentro do nosso mísero corpo queimado;
em que a Paixão floresce a cada instante, por aquela pessoa,
por aquela flor, por aquele animal...
.
Dias que queremos que não mais acabem,
dias em que percebemos que aquilo é o auge das nossas vidas,
em que a simplicidade e o amor pela Natureza nos dá motivos
mais que muitos para sermos felizes
e fazermos felizes os outros,
deixar de lado os preconceitos, os julgamentos,
a inveja, a hipocrisia
e dizer aos outros o que sentimos.
.
Momentos de pura felicidade.
.
Em que o corpo balança
de olhos fechados
ao som de uma música que marca uma estação,
em que o calor abrasador não é o sufiente para nos fazer parar.
.
O calor começa agora a abandonar-nos, o Sol enfraquece mas a felicidade continua ali, aqui, ao nosso lado, dependente de nós (por muito peso que essa responsabilidade tenha sobre nós).
.
Sorrio neste dia em que o Sol ainda se faz mostrar por entre as nuvens. Ele está lá sempre tal como sei que os momentos quentes passados estarão sempre comigo, enquanto não voltarem. Guardo o calor dentro de mim e continuo a querer abraçar o mundo num abraço apertado, para nunca mais soltar a felicidade que ele me proporciona por me deixar fazer parte dele e tocar a vida dos outros.

.
(Tantas e tantas bandas, tantas e tantas músicas que ficam, tantas amizades, tantas paixões, tanto amor e felicidade. Tantos concertos, tanta dança, tanta diversão. Momentos marcados cá dentro que são impossíveis de exteriorizar. Fica sempre tanto e tanto por dizer, o que importa é que cá dentro cada momento é especial e está guardado como um tesouro.
.
A todos aqueles que fazem parte da minha vida, que me influenciam, que são lembrados como parte principal destes momentos quentes (ou mesmo dos frios). Isto não teria significado nenhum sem essas pessoas.)

quinta-feira, novembro 02, 2006

Mais uma vez, só às vezes...


Os nossos corpos já saciados jazem na cama, a única pista de que ainda estamos vivos é a respiração compassada que soltamos mecanicamente.
.
O teu corpo ao meu lado, ao alcance da minha mão e mais longe que a distância que percorremos para aqui estar.
.
O meu corpo cheio de ti, a minha alma violada pelo teu sabor, eu, aqui, a centímetros de distância.
.
Esticar a mão? (Não...)
.
Às vezes o passado surge ainda no presente, às vezes o futuro é impossível, às vezes, só às vezes, a melhor forma de seguirmos o nosso caminho é recuar um pouco, fechar a porta atrás de nós e enfrentar o Sol perturbador da manhã.
.
.
Às vezes, só às vezes, há distâncias que não podem ser quebradas.

quarta-feira, novembro 01, 2006

Just sometimes... (Not always...)

"Walk Away"
.
Oh no- here comes that sun again.
And (that) means another day without you my friend.
And it hurts me to look into the mirror at myself.
And it hurts even more to have to be with somebody else.
.
And it's so hard to do and so easy to say.
But sometimes - sometimes,
you just have to walk away - walk away.
With so many people to love in my life,
why do I worry about one?
.
But you put the happy in my ness,
you put the good times into my fun.
And it's so hard to do and so easy to say.
.
But sometimes - sometimes,
you just have to walk away - walk away
and head for the door.
.
We've tried the goodbye so many days.
We walk in the same direction
so that we could never stray.
.
They say if you love somebody
than you have got to set them free,
but I would rather be locked to you t
han live in this pain and misery.
.
They say time will make all this go away,
but it's time that has taken my tomorrows
and turned them into yesterdays.
.
And once again that rising sun
is droppin' on down
And once again, you my friend,
are nowhere to be found.
.
And it's so hard to do
and so easy to say.
But sometimes, sometimes
you just have to walk away,
walk away and head for the door.
You just walk away - walk away - walk away.
You just walk away, walk on, turn and head for the door.