quarta-feira, janeiro 21, 2009

Os defeitos que vi em ti, que me faziam não pensar racionalmente, que me enervavam, são aqueles que vejo quando me olho ao espelho. Cometi os mesmos erros, proferi as mesmas mentiras, agi da mesma forma com outros. No fundo, revia-me em ti, só não o sabia. Da mesma forma que ninguém odeia ninguém em quem não se reveja.

Lição aprendida. Significas tão menos agora que percebi isto!

Nostalgia


Lembro-me daquela rua cheia de vida, apesar de fria, da estrada de alcatrão escuro, dos edifícios, todos iguais mas para nós tão distintos. Lembro-me do nosso, dos sofás de partilha, das escadas de segredos, da cozinha de risos. Recordo o meu quarto, o 9, como se lá estivesse, quando tudo aquilo gritava esperança, futuro, felicidade. Talvez aquele corvo na janela ao acordar fosse realmente um prenúncio de morte.


Agora, à distância dos anos que passaram, custa rever tudo aquilo destruído, velho, pronto a ser demolido. Só, assim, sem piedade. Custa ver o local de tantas memórias, das felizes e até das amargas, ter um prazo de validade a chegar ao fim. Uma cidade fantasma que se fez velha e solitária, e que acolhe hoje os que ainda nela veêm a beleza dos traços que sobreviveram ao abandono.


Parece que ainda oiço os ecos desses tempos, dos risos a ecoar pelos quartos, das tentativas de fuga, da relva verde a estender-se pelo horizonte. Nostalgia só. Talvez tivesse sido melhor só recordar, mas a realidade às vezes fala mais alto e temos de abrir os olhos ao que se passa lá fora.