sexta-feira, dezembro 22, 2006

Pára. Contempla.
Se tivesses noção de tudo o que perdes na correria do teu dia-a-dia, de todos os pormenores explícitos que te escapam, de todas as sombras coloridas que podias ver caso te desses ao trabalho de te deter...
Pára. Espera. Detém-te.
Olha à tua volta como se fosse a primeira vez que vês a tua rua, a tua velha escola, a tua família. Aprecia os traços, faz as contas, vê com olhos de ver.
Pára. Respira fundo.
Imobiliza o teu corpo num momento e absorve toda a informação que te é dada. Sente as folhas amarelas de Outono roçar-te o cabelo, ouve os pássaros escuros que nunca mudam e te parecem acompanhar no caminho inclinado, vê as árvores despidas e senta-te na terra húmida, castanha, aprecia o silêncio, a calma, o rio ao fundo por baixo de um Sol frio e acolhedor.
Não tenhas pressa. Sente. Fecha a mente ao que se passa ao teu redor. Abstrai-te do som dos carros, das buzinas e aprecia esse silêncio especial. Disfruta da tua companhia, da tua simplicidade e desse local que te descodifica, que torna tudo tão simples.
Agradece os gestos de bondade à tua volta, as pequenas histórias que te acontecem, aquelas a que dás mais valor quando estás predisposto a vê-las. Sabem tão melhor. O sorriso com que retribuis o piscar de olho cúmplice é tão mais espontâneo.
Pára. Desabafa.
Falar contigo, acho que é como falar comigo mesma... Às vezes só preciso mesmo de abdicar de um pedaço de tempo que nunca uso de forma proveitosa, visitar-te e recompôr-me. As respostas que procuras deixam de fazer sentido, ou serão as perguntas?

Pára. Pensa. Age.
Subir é sempre mais difícil que descer, começar de novo é sempre mais difícil que nos deixarmos estar. Mas pensa bem, depois pode ser tarde demais para conseguires fazer o que sempre quiseste e deixaste para depois. Não deixes nada para depois por achares que terás uma oportunidade melhor, não abdiques de um impulso verdadeiro por achares que terás um melhor momento, o momento perfeito. Aprende. Ele nunca virá. A beleza está na imperfeição.
Pára!
Está frio, é Dezembro, o ano está no fim, queres mesmo um cenário melhor para o que tens a fazer?

Recomeça...

terça-feira, dezembro 19, 2006



A vida é feita de ciclos... Uns mais definitivos que outros.

As pessoas evoluem e deixam para trás os sonhos de criança para enfrentarem o mundo real, na maior parte das vezes deixando para trás esses ideais dos quais prometeram nunca abdicar. A verdade é que aquele mundo de fantasia acabou. Isto é a vida, a responsabilidade, os problemas para resolver. Mas digam-me lá se não sabe bem? Torna-nos mais fortes, somos moldados pela memória de quem fomos e a verdade é que aqueles sonhos de infância ainda não se dissiparam totalmente, ainda estamos a tempo de correr atrás deles, por mais absurdos que sejam.

Se somos fortes para resolver um problema ou arcar com as consequências de forma adulta, será que não temos também força para perseguir os nossos ideais?

Se há determinismo nisto, provém de nós mesmos.

Ou eu ainda não cresci, ou sou simplesmente inconsciente!
Enfim, de qualquer modo, é nisto que acredito, por agora...

terça-feira, dezembro 12, 2006




As coisas mudaram tanto em dois anos, EU mudei tanto em dois anos. As escolhas que fiz nem sempre foram as mais seguras ou as mais fáceis, mas foram elas que me trouxeram até aqui, e eu estou tão bem aqui.
Acho que nunca to disse mas … Obrigada!
(esta tem sido a banda sonora desses tempos,
agora que penso nisso,
não apenas a música,
mas o autor...
como sei que gostas...)

domingo, dezembro 03, 2006

A quem se identificar...

Noites em que te é dada uma segunda, terceira, milionésima oportunidade e tu não a aproveitas, limitas-te a virar a cara, a esconder-te na esperança que não te vejam, que o futuro te deixe de parte quando há a oportunidade de seres, quem sabe, ainda mais feliz. Passas lado a lado com o Destino.
Suponho que é a tua reacção natural a estas situações, na emergência do momento achas sempre que não tem de ser, que não há razão para acontecer. Quando o momento passa fica sempre a dúvida. Não te vês como personagem principal numa história que vai contra o teu monótono dia-a-dia.
És a coisa mais antagónica que conheço, impulsiva e racional, fria e aventureira, tudo ao mesmo tempo. Sem contenção nem medida em cada ingrediente. É difícil compreender-te, ler-te. Claro que isso é o que te torna única, esse teu mistério mal tapado, as lascas de ti que deixas escapar por entre um suspiro ou um olhar despropositado. Dás-te a conhecer da mais retorcida forma, aos poucos, desconfiada.
Mas cansas, às vezes. Tanta indecisão ou tanta reflexão torna-te esgotante, mesmo para ti. Quando te devias deixar levar, analisas tudo ao mais infímo pormenor; quando te devias conter, dás asas à Loucura que queres mostrar que possuis, como se alguém que te conhece duvidasse realmente que ela é tua dona.
Talvez a Noite não seja a tua melhor conselheira, se bem que sempre foi a tua melhor ouvinte.

sábado, dezembro 02, 2006

Há dias em que nada sabe melhor do que o olhar de um desconhecido, o olhar intenso de alguém que, de qualquer forma, nos agrada.

Quando ainda não há condicionantes, história ou passado, quando ainda não há toque.

Apenas uma pessoa que podemos moldar à nossa maneira, que (ainda) não tem força para quebrar a nossa ilusão.

Olhares que se quebram rapidamente, à velocidade da vida, olhares fugazes e esquecíveis, mas que nos fazem sonhar e duram mais que o momento em si.


Hoje é um desses dias.