segunda-feira, setembro 14, 2009

Hoje sinto-me completamente desapaixonada. Dormente por não saber o que sentir. O que aqui se passa é rodeado por um vazio enorme, dos que já não sabe se é melhor deixar-se estar ou remoer no que já partiu há tanto tempo.

Hoje lembrei-me de nós e senti-nos virar a esquina. Já não podendo sequer olhar para trás, pensar na ínfima possibilidade uma última vez. Saltámos os dois para extremos opostos. Na verdade, tu saltaste. Eu esqueci-me de respirar fundo antes do salto, retraí-me. Traí-me.

Hoje, uma vez mais, tentei parar e compreender o que quero. Tempo perdido. Continuo a andar às escuras - a dar oportunidade ao que surge, a dar mais de mim a quem nada exige e nada oferece em troca. A guardar.

Hoje já não tive saudades tuas. Continuo a ter da ideia que és, no entanto. Na ideia do que todos vocês são. Estou cansada.
E não me apetece rever o texto.

sábado, junho 13, 2009

Sinto falta de quando me inspirava em ti para escrever.

sábado, fevereiro 21, 2009

Páginas em branco

Hoje não te senti perto de mim, não soube onde encontrar-te e isso confundiu-me. Estou tão habituada a que estejas lá para mim quando preciso. Ao fim de tantos anos o que tivémos consolidou-se num certo comodismo inevitável mas até certo ponto desejado.
Tenho de aprender a ser sem ti, nunca gostei de dependências mas foste um vício do qual me quero libertar mas que ainda está muito presente. Mas hei-de lá chegar, sei que vai custar mas é algo que preciso fazer para seguir em frente. Vou ter de aprender a depender de outra pessoa, espero é que não tanto.
Hoje senti falta de te sentir lá.
O que vale é que no final do dia ainda resta uma última página em branco - ali, mais uma oportunidade a ser aproveitada, mas um dia para viver e ser marcado.

quarta-feira, janeiro 21, 2009

Os defeitos que vi em ti, que me faziam não pensar racionalmente, que me enervavam, são aqueles que vejo quando me olho ao espelho. Cometi os mesmos erros, proferi as mesmas mentiras, agi da mesma forma com outros. No fundo, revia-me em ti, só não o sabia. Da mesma forma que ninguém odeia ninguém em quem não se reveja.

Lição aprendida. Significas tão menos agora que percebi isto!

Nostalgia


Lembro-me daquela rua cheia de vida, apesar de fria, da estrada de alcatrão escuro, dos edifícios, todos iguais mas para nós tão distintos. Lembro-me do nosso, dos sofás de partilha, das escadas de segredos, da cozinha de risos. Recordo o meu quarto, o 9, como se lá estivesse, quando tudo aquilo gritava esperança, futuro, felicidade. Talvez aquele corvo na janela ao acordar fosse realmente um prenúncio de morte.


Agora, à distância dos anos que passaram, custa rever tudo aquilo destruído, velho, pronto a ser demolido. Só, assim, sem piedade. Custa ver o local de tantas memórias, das felizes e até das amargas, ter um prazo de validade a chegar ao fim. Uma cidade fantasma que se fez velha e solitária, e que acolhe hoje os que ainda nela veêm a beleza dos traços que sobreviveram ao abandono.


Parece que ainda oiço os ecos desses tempos, dos risos a ecoar pelos quartos, das tentativas de fuga, da relva verde a estender-se pelo horizonte. Nostalgia só. Talvez tivesse sido melhor só recordar, mas a realidade às vezes fala mais alto e temos de abrir os olhos ao que se passa lá fora.