domingo, março 25, 2007

Saudade!


Saudade é sentir falta do que não vivemos, do que poderíamos ter vivido mas não se proporcionou. É sentir falta daqueles momentos fugazes que nos enchem o peito, que fazem valer a pena os menos bons.
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Com a minha idade fico feliz por saber que já experienciei muitas coisas, já viajei um pouco pelo mundo (claro que falta ainda muito!) e já conheci muitas pessoas que posso dizer são daquelas que ficam para a vida, se não fisicamente pelo menos na lembrança. Não me posso queixar pois sei a sorte que tenho tido.
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Mas quero mais, a avidez extravasa. Quero mais daqueles momentos únicos que nos marcam o coração para sempre, quero não sentir o aperto no estômago que sinto devido à nostalgia. Gosto de nostalgia até, aquele sentimento triste por sabermos que fomos tão felizes, mas que acabou; se ela existe é porque os momentos valeram a pena e nos encheram a memórias de sorrisos e gargalhadas sonoras.
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Só que não gosto de fins, não gosto de pensar nas diversas fases das nossas vidas como finais, são transitórias. Muito bonito, mas há momentos que voam mesmo. E fica a saudade, esse sentimento tão português e tão característico nosso. Eu sou saudosa, saudosíssima mesmo. Odeio despedidas, odeio ter de voltar de viagens, odeio quando sei que as probabilidades de voltar a ver uma pessoa que conheci e de quem gostei são mais que remotas. Enfim, por aí...
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E isto tudo porquê?! Porque ontem (depois de um dia inteiro a ouvir fados!) foi o XII TUIST (festival de tunas) no Coliseu dos Recreios, seguido por uma noite diferente das normais passadas em Lisboa. Posso dizer que pela primeira vez consegui sentir o verdadeiro ambiente universitário que sinto quando vou a Coimbra, por exemplo. E soube bem, melhor do que era suposto, e saber que passou tão rápido e que acabou (até para o ano pelo menos!) dá-me o tal aperto do estômago. Se bem que o festival tenha sido cinco estrelas e que a noite tenha sido mágica, com todo o convívio e as serenatas e cantorias improvisadas no meio da rua... Uma noite de "capas negras de saudade"! Irrepetível mas com sede de mais, sempre mais!
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Deixo-vos com uma cançãozinha daquelas que mexeu e mexe comigo de uma forma absolutamente parva, que consegue explicar, a quem não sabe, o que é a saudade. Daquelas que nos recusamos a ouvir quando a saudade bate.
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É um desabafo, não me apetece saber se tenho de arriscar mais, se tenho de estar agradecida, se nada. Apeteceu-me escrever sobre isto, o que digo sentir e a forma como o faço. Na verdade só o sentimento é realmente verdadeiro, as palavras são tão fugazes quanto os momentos, mas tal como eles perduram. Hoje sinto-me mais portuguesa que nunca. Gosto deste acumular de diferentes experiências, tal como gosto de me sentir verdadeiramente eu, sem portas. E gosto de Lisboa, mas sempre disse que estou demasiado a Sul para o meu gosto.
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(É é tão bom quando os nossos momentos de sonho demoram um tão curto espaço de tempo até se tornarem reais. Não há tempo para se idealizarem o que leva a que a forma como os vives seja tão mais pura!)

domingo, março 18, 2007

@ the final setting sun...

Sabes, um dia esse teu orgulho frio e infantil vai fazer-te dar uma grande queda. E nesse dia, adivinha quem vai lá estar para te ajudar a levantar?

Pois,
eu...

Quem mais?!

Só acho que, de vez em quando, podias engoli-lo um bocadinho. Ou achas realmente que a forma como o consomes é sinónimo de uma mente inteligente? Sim, eu sei que já te é intrínseco, mas mesmo assim...Controla-o sim?!

(Claro que agora a tua reacção vai ser consumi-lo ainda mais, que coisa! Enfim, quem não te conhece que te compre...).


;P

domingo, março 11, 2007

Espantou-se... Sentiu o cheiro dele na sua almofada e não era possível. Ele nunca tinha estado ali, em imaginação talvez, mas isso não era o suficiente para que o sentisse ali, ou seria?
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Podia ser um prenúncio de um futuro não realizado, mas realizável. Ou então apenas um sinal de demência, da loucura que todo aquele rodopiar de sentimentos lhe causava. Mas sim, voltou a juntar a face à almofada e voltou a senti-lo, a saboreá-lo, imaginação ou não. Era o cheiro dele, misturado com o seu, foi assim que o aprendeu e o fixou, uma dualidade de perfumes, de odores, de risos e de promessas simples. Sorriu e adormeceu assim, a sorrir, lembrando-se de tudo o que ele lhe ensinou, e do que aprendeu à sua custa. Apenas feliz por tê-lo vivido e agradecida por ter conhecido alguém assim tão especial que lhe aquece o coração todas as noites. Feliz por ter sido capaz de atrair alguém como ele, por perceber que não é tão mau ser como pensa ser. E por se lembrar de como ele queria que ela se lembrasse do passado...
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Nada é definitivo.
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"Deixa a janela aberta, de noitinha eu passo a visitar-te..."