domingo, setembro 17, 2006


É o último mergulho do Verão naquela praia.
O corpo flutua na água, de braços abertos ao mundo. A mente abstrai-se do barulho "lá fora", das conversas, do choro das crianças, e concentra-se no misterioso som do mar, no inconfundível azul daquele céu onde voa uma gaivota solitária oferecendo-lhe a banda sonora do momento. Ela sorri ao sentir o corpo baloiçar ao sabor das ondas que se destroem contra a areia. A água fria chega-lhe a todas as partes do corpo, gela-a e fá-la sentir mais viva que nunca.
E, naquele momento salgado, ela é feliz. Feliz porque poder sentir e saborear é o suficiente. Feliz porque está viva. Feliz porque sim, sem razão nenhuma e por todas as razões do mundo. Feliz por ter razões para ser feliz. Feliz porque é feliz.
O sol pachorrento começa a despedir-se, num pôr-do-sol alaranjado e quente que prepara a transição para o Outono que se azivinha que ela tanto gosta. Olhando uma última vez para trás sussurra: "Até breve!".
Lagos, 17 de Setembro de 2006

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