domingo, outubro 01, 2006


E, de um momento para o outro, o silêncio. O silêncio ensurdecedor na noite já clara apenas quebrado pelas incessantes batidas do coração que ecoavam cada vez mais alto.
O fim, a sensação de impotência face ao inevitável, ao incompreensível.
Ela nunca gostara de finais. Sempre preferira um romance em aberto, um filme rodopiante com inúmeras possibilidades, relações com reticências e com futuro. Um dia claro de sol no Inverno, um temporal quente no Verão.
Gostava de chuva, ao contrário da maioria. Sempre que chovia ela parava, fechava os olhos e deixava-se levar para outros mundos.Isto quando não se descalçava, soltava o cabelo e ia dançar para a relva, sorrindo.
Mas naquele momento tudo isso acabara, tudo deixara de fazer sentido. Inevitável. Sensação de impotência "Pronto, é isto! Acabou!". Resignação.
Tinha sede de mais, o sangue corria-lhe ainda jovem nas veias que cortara de modo preciso. "Então é isto, é esta a sensação!".
Os seus olhos embaciavam-se numa névoa que a cobria como se já não pertencesse a este mundo que nunca considerou seu.
E, no entanto, apesar de tudo, ela sorria. Como sempre o fez. Morria como sempre vivera: bela, jovem e curiosa. "Quem diria", diziam eles, "logo ela que sempre foi tão simpática, quem diria que faria uma coisa destas...".
Ao que parece ninguém nos chega mesmo a conhecer, ao que parece morremos mesmo sozinhos.
O corpo jazia inerte sobre a relva molhada das primeiras chuvas de Outono. Um bilhete borrado dizia: "Fui feliz!".

11 comentários:

T. disse...

gavi...k ideias são estas pá?

ve lá... >=/

o texto tá mt intenso...bem escrito e a imagem perfeita. parabéns**

João G. disse...

tenho k começar por dizer k o texto ta mt bonito, apesar d estar um cado pessimista, ms adorei mm a forma cm foi escrito e cm tocou... contudo a parte final deixa em aberto k ela foi feliz, pod ter morrido ms ao menos foi feliz na vida, o k ate pode conferir ao texto nao tao pessimista knt isso... n penses na morte, vive a vida e o momento k é belo...

bjxx** GuIlHo

Anónimo disse...

O meu coração bate bate por ti!... por iso, continua... só tu escreves tão bem (inda por cima as horas q foi...) só quero é q passes por cima de tudo e cmpletamnt "cagativa"... o importante és tu e eu!!! ;P bjinho**

B. disse...

Vieram-me as lágrimas aos olhos.



='(



Lindo.

MiLady disse...

a imagem e brutal i o texto lindo mesmo..amei*

SuntoryTime disse...

Eu cá nã ogosto muito destas ideias depressivas, por isso vou dizer uma coisa mesmo parva.

Sou eu que tenho um humor doentio, ou «Um bilhete borrado dizia: "Fui feliz!"» tem mesmo muita piada?

J. disse...

Isto naum é depressivo ;P lá pk ela decide matar.s e kê n ker dizer k é triste.. N fiz sentido nenhum certo!? Naum era suposto...

Anónimo disse...

Gostei disto...se calhar até tenho uma tendência muito mórbida ou assim, mas não achei isto depressivo...acho que até contém uma veracidade tão forte...

E gosto sobretudo da parte da chuva...tb eu gosto de chuva! =)
(não, não irão encontrar um bilhete borrado junto ao meu corpo brevemente...mas o comment da Filipa deixou-me a rir às gargalhadas...)

Anyway, gosto destes seus textos menina Gavi...e espero que já estejas bem dos teus pézitos...xD

Procyon disse...

Ao que parece ninguém nos chega mesmo a conhecer, ao que parece morremos mesmo sozinhos.

Morremos mesmo... ou pelo menos cada vez me convenso mais disso mesmo. Gostei de ler, mas senti um arrepio.

D@s Pl3ktrüm-/v\ädch3n disse...

Sim =)

Alexx M. disse...

Fikei arrepiada com a intensidade do texto, a força da mensagem, a veracidade das palavras......

Axo k nc ngm s conhece por completo, inside out, sem k haja mais lugar a surpresas... E ela surpreendeu tudo e todos com a sua atitude. O mais engraçado é k ela podia ser eu de tanto gostar de xuva, d ter sido feliz...
Pk terá ela feito o k fez? E pk n fazê.lo? Não sei, mas gostei Gavi, gstei muito do txt ;)