quarta-feira, outubro 01, 2008

Saída de emergência


Empurro a porta de vidro e lá atrás espera-me um pôr-do-sol azul e laranja como não via desde o fim do Verão. Também o corpo pede roupas largas, chinelos, cabelos soltos ao vento...
.



Do outro lado, abres-me a porta e mostras o sorriso cúmplice de alguém que sabe que está a cometer um crime necessário e justificável. Respiro fundo enquanto dou o primeiro passo e o que me rodeia pesa de alegria, histórias vividas à gargalhada e abraços sentidos.


O mar visto cá de cima enche a alma com ondulações de paixões passadas e primeiros amores sofridos. Os antigos rostos assumem linhas que oscilam, não fortes o suficiente para marcar a memória.


O ar abafado relembra os sonhos que ficaram de parte por força das circunstâncias, ao mesmo tempo que recupera a última esperança de os concretizar. Os locais por visitar, os amigos por conhecer, as experiências que ditam o rumo das nossas vidas.


Tudo se desvanece, tu continuas ali com os olhos brilhantes e o silêncio ensurdecedor até que me mostras que é tempo de voltar. O sol pôs-se, o mar acalmou e o ar agora frio lembra que o Verão passou e a vida impôs outros afazeres.

É hora de crescer. Mas é sempre bom saber que a porta de emergência, tal como tu, continuam no mesmo sítio à espera da próxima vez que eu precise de ser salva.

3 comentários:

T. disse...

"o ar agora frio lembra que o Verão passou e a vida impôs outros afazeres"

sim. Mas eu estarei sempre aqui para te levar até à porta de emergência,e sempre que precisares, ajudar-te a atravessá-la.

Melhores dias virão! =D

Agregador disse...

sabe tão bem passar aqui no teu cantinho...

Anónimo disse...

Fantástico! :)